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TALENTOS DESPERDIÇADOS NA F1

Existiram alguns pilotos super talentosos com potencial de serem campeões, que mostraram serviço por onde correram na F1, mas não tiveram carros para serem campeões ou não tiveram sorte na temporada ou por que morreram cedo e tiveram suas carreiras interrompidas. Segue a lista desses pilotos:

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STIRLING MOSS (16 vitórias e 186,6 pontos):

Stirling Moss foi o 2o melhor piloto dos anos 50. Fora da F1 ele ganhou 212 corridas em 528 corridas disputadas, ou seja, 40% de vitórias, números impressionantes. Ele foi vencedor do Rally de Monte Carlo 1952, das 12 horas de Sebring em 1954, dos 1000 km de Buenos Aires em 1956 e dos 1000 Km de Nurburgring 56/58/59/60.

Na F1 ele disputou o título com Fangio em 55 e 56, mas foi vice campeão nos dois anos. Em 1958 disputou o título com Mike Hawthorn, mas foi vice campeão por que ele testemunhou a favor de Mike Hawthorn que iria ser desclassificado do GP Mônaco 58 e por que Phill Hill fez jogo de equipe na última volta do GP Marrocos 58, a última corrida do ano e com isso Moss perdeu o título por 1 ponto e seu compatriota ficou com o campeonato.

 

Em 1959 ele disputou o título com Jack Brabham, mas as 4 quebras lhe tiraram o título, inclusive uma na última corrida do ano, no GP EUA II 59, quando Moss estava indo para o título. Em 1960 ele tinha chances de ser campeão, mas sofreu um acidente, quebrou as duas pernas e ficou de fora por 3 corridas, quando voltou às pistas, venceu corrida e acabou em 3o lugar no campeonato. Talvez tivesse sido campeão se não ficasse 3 corridas de fora.

Todos esses feitos mostram que Moss era gênio, mas infelizmente não teve a sorte de estar no lugar certo, na hora certa, mas era um piloto que tinha tudo para ser bi ou tri campeão. Com certeza Moss era mais talentoso do que campeões do mundo como Mike Hawthorn (1958) e Phil Hill (1961), por isso que a F1 nem sempre é justa.

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DAN GURNEY (4 vitórias e 133 pontos):

Dan Gurney era um dos maiores pilotos dos anos 60, ao lado de Jim Clark, Graham Hill e Jackie Stewart, mas não teve a sorte de ter um carro vencedor em mãos. Ele correu na equipe BRABHAM por 3 anos, em todos os anos ele derrotou Jack Brabham dentro da sua própria equipe, mas infelizmente ele saiu da BBABHAM justamente quando a equipe australiana iria construir um carro vencedor. Muito azar...

Seus números comparativos mostram que ele era merecedor de ser campeão, e o pai de Jim Clark disse no funeral do filho, que Clark achava Dan Gurney um dos melhores pilotos da F1 nesse período.

 

Segue comparativo Gurney x Brabham nos anos (63, 64 e 65) da equipe BRABHAM:

Largadas: 19 x 7

Chegadas: 10 x 6

Poles: 2 x 0

Vitórias: 1 x 0

Pontos: 63 x 24

Esses números comparativos, mostram que Jim Clark tinha razão, Gurney era super talentoso, e tinha tudo para ganhar pelo menos dois títulos na F1, se tivesse um carro vencedor em mãos.

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RONNIE PETERSON (10 vitórias e 206 pontos):

Ronnie Peterson era um excelente piloto, muito talentoso que merecia ser campeão do mundo pelo menos uma vez. Emerson Fittipaldi sempre elogiou o piloto sueco dizendo que ele sabia guiar escorregando nas 4 rodas e sabia guiar suave também. Em 1973, ele deu trabalho a Emerson Fittipaldi, e Colin Chapman teve que dar tratamento igual aos dois pilotos e esse foi um dos motivos do brasileiro sair da lendária equipe Lotus.

Ronnie Peterson saiu brigado da Lotus em 1976 (Anuário Motores 76 pg 43), tanto que ele largou a equipe no começo do ano para correr pela Parnelli e depois a March que eram equipes pequenas. Quando o sueco voltou para a Lotus em 1978, teve tratamento de 2o piloto, sem prioridade de equipamento, inclusive no GP Itália 1978, o sueco estava com carro defasado em relação a Mario Andretti que foi campeão nessa corrida.

 

Em 1978, mesmo correndo em algumas corridas (Bélgica e Itália) com equipamento defasado e mesmo tendo morrido em Monza, o "Sueco voador" fez 51 pontos contra 64 pontos do campeão Mario Andretti, isso mostra como ele era talentoso e como ele podia ser campeão se tivesse a chance de tratamento igual dentro da Lotus.

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CARLOS REUTEMANN (12 vitórias e 310 pontos):

Carlos Reutemann era um excelente piloto, muito regular e rápido, mas teve azar de escolher as equipes certas nas horas erradas, brigou com a equipe no ano que tinha chances de ser campeão e ainda se aposentou na hora errada. 

Devido as fracas atuações de Clay Regazzoni em 75 e 76 na Ferrari, Carlos Reutemann foi contratado para a equipe italiana em 1977 e 1978. Nesses anos Carlos se saiu melhor que o piloto suíço, venceu 5 corridas pela Ferrari, mas infelizmente teve uma série de quebras que lhe tiraram qualquer chance de título, ficando em 4o lugar em 1977 e em 3o lugar em 1978. Depois ele saiu da Ferrari em 1979 justamente no ano que a Ferrari seria campeã do mundo e foi para a Lotus que tinha sido a campeã no ano anterior, justamente no ano que a equipe inglesa foi mal no campeonato. Em 1980 ele foi para a Williams e fez duas boas temporadas em 1980 e 1981.

Em 1980 ficou em 3o lugar. Em 1981, Reutemann disputou o título com Nelson Piquet, mas brigou com a equipe e na última corrida do ano, podia-se ver a equipe Williams se preocupando mais com o carro de Alan Jones do que com seu carro, Piquet acabou sendo campeão por 1 ponto. O argentino se aposentou da F1 no começo de 1982, quando deveria ter continuado, pois foi justamente o ano que Keke Rosberg foi campeão pela Williams, ou seja, ele poderia ter sido o campeão dessa temporada também se não abandonasse a F1. Muita falta de sorte.

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JOSÉ CARLOS PACE (1 vitória e 58 pontos):

José Carlos Pace não foi um gênio como Fittipaldi, Piquet e Senna, mas era um piloto muito rápido. Muitos que o viram correr dizem que ele tinha talento para ser campeão do mundo. Nas categorias de base na Inglaterra de 1969 a 1970, ele chegou 27 vezes entre os 5 primeiros em 35 corridas, marcou 7 recordes de pista em 10 pistas inglesa e venceu o GP Imola 1971 na Fórmula 2 derrotando Fittipaldi, Cevert e Regazzoni. 

 

Ele estreou na F1 na equipe de Frank Williams em 1972, e em 1973, foi eleito o 4o melhor piloto da F1, atrás somente de Stewart, Fittipaldi e Peterson. Em 1975 e 1976 correu ao lado de Carlos Reutemann na Brabham, venceu o GP Brasil 75 fazendo dobradinha com Emerson Fittipaldi, mas mesmo tendo derrotado o argentino nos treinos da temporada, perdeu nos pontos no geral. Em 1976 a situação se inverteu, Pace perdeu nos treinos, mas ganhou nos pontos, isso mostra que Pace estava no nível dos melhores da F1. Em 1975 além de vencer o GP Brasil de F1, ele venceu as 25 horas de interlagos.

 

Infelizmente ele morreu em 1977 num acidente aéreo em São Paulo, mas poderia ter tido chance num carro vencedor para mostrar seu verdadeiro talento como piloto.   

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TONY BRISE (1 ponto):

Um nome pouco conhecido era Tony Brise, que tinha tudo para ser o melhor piloto inglês depois de Graham Hill. Nas categorias de base seus resultados mostravam que ele tinha talento e o próprio Graham Hill viu potencial nele e o convidou para correr na sua equipe:

  • Campeão Britânico de kart 1969 (começou no kart aos 8 anos)

  • Vice-Campeão de F Ford 1600 1971

  • Campeão F3 Inglês e Europeu 1973 (equipe de Bernie Ecclestone)

  • Campeão F3 John Player Series 1973

Tony Brise estreou na F1 em 1975 na pequena equipe Hill, que era uma equipe bem inferior a Ferrari, Brabham, Lotus, McLaren, mas ainda assim ele conseguiu se classificar na frente de Emerson Fittipaldi (McLaren) na Bélgica, Ronnie Peterson (Lotus) na Holanda, na França, na Inglaterra e na Alemanha. No treino do GP Itália 75, ele fez um espantoso 6o tempo, na frente de pilotos bem mais experientes como Andretti (Parnelli), Peterson (Lotus), Hunt (Hesketh), Depailler (Tyrrell), Reutemann e Pace (ambos na Brabham), isso mostra como Brise tinha o "pé pesado" e era talentoso.

 

Infelizmente em 1975 ele morreu num acidente aéreo no avião de Graham Hill, e nunca saberemos até onde chegaria esse excepcional piloto inglês, que teve uma carreira muito curta na F1, mas com certeza tinha talento para ser campeão.

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PATRICK DEPAILLER (2 vitórias e 141 pontos):

 

Esse excelente piloto francês deu trabalho ao futuro campeão do mundo, Jody Scheckter, em 1975 e 1976 na Tyrrell, inclusive largou na frente do piloto sulafricano 16 vezes em duas temporadas. Em 1977 correu ao lado de Ronnie Peterson e também deu trabalho ao piloto sueco nos treinos, Depailler largou 9 vezes na frente de Peterson em 16 corridas. Em 1979 ele derrotou Didier Pironi nos treinos 14 vezes, isso mostra que ele era um piloro rapidíssimo nos treinos.

Infelizmente morreu em 1980 numa sessão de testes privados da Alfa Romeo em Hockenheim, e nunca saberemos até onde o francês chegaria, mas uma coisa é certa, ele tinha talento para ser campeão.

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GILLES VILLENEUVE (6 vitórias e 107 pontos):

Algumas pessoas falam que "quando um piloto morre seu talento é super valorizado", há certa verdade nisso, mas não se pode generalizar essa frase. Gilles Villeneuve é o símbolo máximo de piloto da Ferrari, ele era rápido, combativo e arrojado e merecia ser campeão do mundo, pelo menos uma vez.

Como ele tinha um nível de erros um pouco alto, a Ferrari em 1979 apostou sua ficha em Jody Scheckter, que era mais regular que o canadense. Em Monza a Ferrari pediu a Villeneuve não atacar o piloto sulafricano e ele cumpriu a ordem de equipe, sendo que se o canadense vencesse teria grandes chances de ser o campeão no final da temporada.

Se alguém tem dúvidas disso, basta ver como ficou o campeonato de 1979 (Scheckter 51 x 47 Villeneuve com descartes), e como ficaria se Gilles tivesse vencido em Monza (Scheckter 48 x 50 Villeneuve com descartes). Villeneuve teria sido o campeão da temporada de 1979.

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JULES BIANCHI (2 pontos):

 

Em 13 de setembro de 2011, num teste em Fiorano, Jules Bianchi foi o mais rápido entre todos os pilotos da Academia de Pilotos da Ferrari. Para 2013 e 2014, ele foi emprestado para a Marussia, chamou muito a atenção pelas atuações no 2o pior carro do grid e já era visto como piloto titular da Ferrari para 2015.

Bianchi derrotou nos treinos seu companheiro de equipe Max Chilton por 26 x 8, sendo em média 0,6s mais rápido que o britânico. O francês fez ótimas corridas nessas temporadas e teve uma atuação extraordinária no GP Mônaco 2014, ele largou dos boxes, levou duas punições de 5 segundos, uma cumprida nos boxes e outra acrescida no tempo final da corrida e ainda chegou num excelente 9o lugar. Se não fossem as punições poderia ter chegado em 6o lugar, um resultado excepcional levando em conta ao fraco carro da Marussia. Lembrando que Mônaco é a corrida que mais fica evidenciada da capacidade técnica de um piloto e uma curiosidade é que seu avô correu na F1 e chegou em 3o lugar no GP Mônaco 1968.

Seus resultados fora da F1 mostram que ele era um piloto diferenciado e merecia melhor chance na carreira:

  • Campeão F Renault 2.0 2007

  • Vice-campeão F3 Euro Series 2008

  • 1º lugar no F3 Master 2008

  • 3º lugar na F3 Euro Series 2008

  • Campeão F3 Euro Series 2009

  • 3º lugar GP2 2010

  • 3º lugar GP2 2011

  • Vice-campeão GP2 Asia Series 2011

  • Vice-campeão F Renault 3.5 Series 2012

  • 5o lugar Desafio das Estrelas 2012 (foi o campeão, mas perdeu o titulo pois ficou abaixo do peso na 2ª bateria)

  • Campeão Desafio das Estrelas 2013

Infelizmente aconteceu o acidente no GP Japão 2014, e veio a falecer em 2015, e nunca saberemos até onde ele chegaria. 

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